terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Com vocês, Carmélia Alves


Nascida em fevereiro de 1923, na cidade do Rio de Janeiro, Carmélia Alves é filha de pai cearense e mãe baiana. Se pensarmos que ela foi criada com base nos costumes nordestinos e associarmos a árvore genealógica da cantora à trajetória artística que ela seguiu, talvez seja fácil entendermos a familiaridade com a cultura do nordeste. Porém, não foi sempre assim. Na adolescência, Carmélia era fanática pela cantora Carmen Miranda.

Apesar de Carmen e Carmélia nunca terem se conhecido pessoalmente, os passos no início da carreira de Carmélia sempre estiveram atrelados aos da pequena notável. Quando Carmen Miranda foi para os Estados Unidos, Carmélia Alves, então com 17 anos, foi convidada para substituí-la como crooner na boate do Copacabana Palace Hotel.

Foi, certamente, no ambiente do Copacabana Palace, que Carmélia começou a traçar os rumos gloriosos que sua carreira tomaria nos próximos anos. Foi ali que a cantora teve os primeiros contatos com grandes nomes da música brasileira e do cenário internacional.

Além de trabalhar como crooner do Copacabana Palace, Carmélia também foi para o tão sonhado mundo do rádio. Em 1940, convidada pelo locutor César Ladeira para fazer o horário que antes era de Carmen Miranda, ela já cantava na Rádio Mayrink Veiga. Foi também na década de 1940, mais precisamente no ano de 1944, que Carmélia conheceu o cantor Jimmy Lester, com quem ficaria casada durante 54 anos.

“Sabia lá na gaiola…”

No final dos anos 1940, os boleros, ranchos e marchas tomavam conta das rádios. Mas, em meio a esses gêneros já consolidados, a música “Me leva” composta por Hervê Cordovil e lançada em disco por Ivon Curi e Carmélia, ganhou destaque e começou a colocar o baião na vida da cantora. A partir daí, na década de 1950, Carmélia apareceu com delícias como “Trepa no Coqueiro” (Ari Kerner, 1950, que anos mais tarde recebeu regravação de Ney Matogrosso), “Sabiá na gaiola” (Hervê Cordovil, 1950) e “Cabeça inchada” (Hervê Cordovil, 1951), que estouraram em todo o Brasil. Depois foi simples. O caminho já estava traçado e Carmélia Alves foi coroada com o título de Rainha do Baião, que era o gênero mais veiculado nos anos 1950. O baião só começou a declinar no início da década de 1960, com a chegada da bossa-nova.

Apesar de o gênero nordestino e, consequentemente, os cantores, terem ficado um pouco prejudicados com o surgimento da bossa-nova, Carmélia arranjou uma maneira de driblar a crise e alçou novos rumos à sua carreira. A cantora passou longas temporadas viajando e trabalhando em países da Europa e da América Latina, mostrando ao mundo todo o que é o baião.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Homenagem ao centenário de Herivelto Martins

Ainda em tempo, dentro das homenagens a Herivelto Martins, que comemoraria 100 anos na última segunda-feira (30), publico uma foto que tirei no Instituto Cultural Cravo Albin. Nela estão Ricardo Cravo Albin junto a Ubiratan Martins, o Bira, filho de Herivelto e Dalva, Yaçanã Martins, filha de Herivelto e Lourdes, a filha de Yaçanã e os filhos de Pery Ribeiro, representando o pai, que não pôde comparecer. Na mesa, um violão que perteceu ao compositor de clássicos como "Caminhemos" e "Segredo".


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

"Deixo este samba com vocês na madrugada"


A primeira vez que estive com Carminha Mascarenhas foi na casa da Carmélia (Alves). O grupo Cantoras do Rádio viajaria para São Paulo para a gravação do programa Ensaio, do Fernando Faro, e eu iria acompanhá-las. Já nesse primeiro contato, em agosto de 2009, Carminha conseguiu mostrar o quanto era uma mulher culta, educada e cheia de boas histórias. Desde então, foram várias as ocasiões em que pude sentar e ficar ouvindo relatos de sua carreira. Ela sempre com um cigarro na mão. Dizia que, já que iria morrer mesmo, não abandonaria o vício.

Na última vez que estive com Carminha, no Retiro dos Artistas, ela já bastante debilitada, me impressionou pela lucidez. Estava atualizada sobre todas as notícias do momento e expôs sua opinião sobre cada fato. Me aconselhou, como sempre fazia, a me divertir mais, namorar mais, aproveitar mais a vida. Não tive tempo de dizer a ela que estou tentando seguir o conselho e que "Samba da Madrugada" tem feito muito sentido na minha vida. Essa música foi composta por Caminha e Dora Lopes para Maysa Matarazzo. Um dia me disseram que ninguém se chama Maísa impunemente. Deve ser verdade. Peguei "Samba da Madrugada" pra mim também. Vou cantar sempre e, assim como ela dedicou a Maysa, agora dedicarei a ela, Cármina Allegretti, a nossa Carminha.

“Eu não sou culpada
De gostar de viver e beber na madrugada”

(SAMBA DA MADRUGADA. Carminha Mascarenhas e Dora Lopes)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Centenário do Rei do Baião

‎2012 é centenário de nascimento do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Nesse vídeo, ele aparece ao lado da Rainha do Baião, Carmélia Alves, que recebeu a coroa do próprio Gonzagão.

Em 1977, a dupla se apresentou no Teatro João Caetano, reabrindo a série "Seis e Meia". Do encontro inesquecível nasceu o LP 'Luiz Gonzaga e Carmélia Alves', com os maiores sucessos da música nordestina.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

E por falar em saudade... elas estão aí


Se você acha que juntar Ellen de Lima e Claudia Telles não dá samba, se engana completamente. Não dá apenas samba, mas também bolero, bossa-nova e o que mais o público pedir.

As duas estão juntas no show "E por falar em saudade" que completa, nesta quinta-feira (29), a quarta apresentação no Bar do Tom e a última de 2011.

Se você ainda não teve o privilégio de assistir ao vivo esse encontro e não está na cidade maravilhosa para fechar o ano ao som dessas duas divas da música brasileira, junte-se à torcida para que elas voltem com tudo em 2012!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Dalva, a Rainha da Voz

No capítulo de Fina Estampa dessa quarta-feira (21 de dezembro), os personagens Letícia, Juan e Vilma, interpretados respectivamente por Carlos Casagrande, Tania Khallil e Arlete Salles tentaram explicar para a jovem Carolina, vivida pela atriz Carolina Fernandes, quem foi Dalva de Oliveira. "Uma deusa da canção popular brasileira", sintetizou Vilma.

Somo à definição apresentada na novela o que Violeta Cavalcanti diz no disco Cantoras do Rádio - Estão Voltando as Flores: "Dalva era um violino afinado e agudíssimo, com uma corda que podia arrebentar a qualquer momento. Essa corda era a sua emoção."


Dalva foi deusa, foi rainha, foi mulher. Se emocionou, sofreu, expôs sua dor e deixou uma obra que canta o amor, a desilusão, a saudade.

"O amor é simplesmente o ridículo da vida" (BOM DIA, Herivelto Martins e Aldo Cabral)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Como é cruel cantar assim

 

Cauby Peixoto Barros veio ao mundo para cantar e foi o que sempre fez. No início, a mãe, dona Alyce, não aceitava em hipótese alguma a idéia de que o filho pudesse seguir a carreira artística. Mas, o jovem, apoiado por uma tia que gostava muito de música e era professora de piano, chamada Risoleta, não desistiu do sonho.

Aos 15 anos, Cauby saiu da casa que morava com a família, em Niterói, e foi para São Paulo se apresentar como crooner na boate Oásis, a convite do irmão Moacyr, que também havia saído de casa para tocar piano. Aliás, não teria como Cauby fugir muito de seu destino. É parte de uma família que legou à MPB vários músicos e cantores. O tio, o grande pianista Nonô, acompanhava Carmem Miranda nas apresentações em cassinos e foi o responsável por popularizar o samba naquele instrumento. Como primo, ninguém menos que o sambista Ciro Monteiro, que cantava sambas sincopados com o acompanhamento de caixinhas de fósforos, e foi imortalizado com o apelido de “Formigão”. Além de Moacyr, outros dois irmãos de Cauby também seguiram o caminho da música: Arakén, como trompetista, e Andyara, como cantora.

Depois de algum tempo em terras paulistanas, Cauby Peixoto foi contratado pela Rádio Excelsior. Nesse mesmo período, o jornalista e apresentador Roberto Côrte Real o levou para a CBS, onde Cauby gravou a canção “Tudo Lembra Você”, versão do diretor da Excelsior, Mário Donato, para a música “These Foolish Things”. Essa primeira tentativa não fez sucesso, mas muito ainda estava por acontecer. Apareceu na vida de Cauby um “padrinho” que conseguiu, em apenas três meses, transformá-lo na atração masculina mais popular da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Foi através da cantora Heleninha Costa, que Cauby conheceu o empresário Edson Collaço Veras, o Di Veras. O homem levou o jovem cantor para o Rio de Janeiro, certo de que aquele rapaz era o talento que ele tanto procurava. Di Veras tanto fez, que conseguiu fazer com que a Nacional contratasse seu pupilo.


A grande inspiração de Cauby sempre foi, declaradamente, o cantor norte-americano Nat King Cole. E o salto inicial para o sucesso veio justamente com a gravação de “Blue Gardenia” (B. Russel/ L. Lee/ versão: Antônio Carlos), estourada no mundo inteiro na voz de Nat. Foi a partir daí que Cauby começou a ter um contato mais direto com as fãs, mobilizando, efetivamente, o público feminino. “Blue Gardenia” abriu muitas portas para o cantor. Quando ele foi passar uma temporada nos Estados Unidos, se apresentou com a canção e chegou, inclusive, a conhecer pessoalmente o ídolo Nat King Cole. Na terra do Tio Sam, Cauby também gravou um disco, pela Columbia. Na época, foi classificado pelas revistas “Time” e “Life” como “o Elvis Presley brasileiro”. Mas ele não ficou muito tempo longe do Brasil. A saudade bateu e ele voltou para os braços de suas fãs.

O maior sucesso gravado por Cauby, depois de “Blue Gardenia”, tornou-se a música mais solicitada e mais aplaudida em seus shows, até hoje: a famosa “Conceição” (Jair Amorim/ Dunga). O público ia ao delírio e o que se falava era que as mulheres desmaiavam quando viam o cantor.

Cauby Peixoto sempre foi diferente. Os cantores da época se apresentavam de gravata, mas ele já mostrava que o segredo era ter um “algo mais”. Usava tênis, calça jeans e blusas de cores fortes. Em público, sempre procurou aparecer com roupas brilhantes e impecáveis. Esse estilo agradou, e as fãs só aumentavam. Mas Cauby não ficava só no figurino. Com sua voz de timbre grave e aveludado, o “professor” — apelido pelo qual Cauby é conhecido — gostava de cantar baladas românticas. Porém, o rock não foi esquecido — Cauby foi o primeiro cantor a gravar um rock em português, “Rock and roll em Copacabana”, composto por Miguel Gustavo, futuro autor de “Pra Frente Brasil”.


A Voz

Gosto de comparar Cauby a Frank Sinatra. Frank – “The Voice”. Cauby – “A Voz”. E não é nenhum exagero. Cauby é, sem dúvida, junto a Frank, um dois maiores cantores de todos os tempos. Tem talento de artista e extravagância de mito.

Muitos "vivas" para Cauby!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Adeus, adeus, adeus

Neste momento faz sol lá fora. Mas, mesmo que a previsão do tempo não dissesse, a gente sabe que hoje é dia de chuva. Daqueles dias em que o céu retrata a nossa tristeza... Dia de dizermos "adeus" três vezes.

Joãosinho Trinta, carnavalesco


Sérgio Britto, ator
Cesária Évora, cantora












quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Encontros: Negro Gato

Estava me lembrando do dia em que conheci Getúlio Côrtes, o Negro Gato. Era um evento do Ecad - Escritório Central de Arrecadação e Distribuição - no qual vários artistas, a maioria compositores, estavam presentes. De repente, aquele senhor aparentemente tímido se aproximou, pediu para se sentar à mesa em que eu estava e começamos a conversar. Na verdade, mais ouvi do que falei. Ele contando com uma felicidade que transbordava sobre uma homenagem que havia recebido no dia anterior no Teatro Rival, falando de fatos da carreira e relembrando algumas histórias. Quando nos despedimos, eu só tinha a agradecer por tudo o que ele conseguiu me transmitir naquela conversa. E, mais uma vez, ficou a certeza de que nada nessa vida é por acaso.


Quem é Getúlio Côrtes

Começou as suas atividades artísticas dublando astros norte-americanos como Frank Sinatra, Sammy Davis Jr., Louis Armstrong, entre outros. No início da década de 1960 passou a atuar como violonista amador nas rádios Mayrink Veiga, Tupi e Mundial. Nessa época formou com o vocalista Pedro Paulo e Jocelin Braga o conjunto Wonderful Boys. Em 1961, conheceu Roberto e Erasmo Carlos num programa de rádio, logo se enturmando com o pessoal da Jovem Guarda. Tornou-se assistente de produção do Renato e Seus Blue Caps e firmou-se como um dos compositores favoritos de Roberto Carlos no início de carreira.

Seu primeiro e maior sucesso como compositor foi "Negro gato", versão da música Three cool cats, da dupla Leiber/Stoler, que foi um hit americano dos Coasters. A canção foi gravada por Renato e Seus Blue Caps em 1963 e por Roberto Carlos três anos depois. É também a sua música mais gravada, merecendo versões de Erasmo Carlos, Marisa Monte e Luís Melodia, entre outros. Getúlio é irmão do cantor Gerson King Combo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Vamos sorrir e cantar!



Hoje é dia da Virgem de Guadalupe, protetora das Américas. Acho que todo mundo que já assistiu pelo menos uma novela mexicana na vida deve ter na memória a imagem de algum personagem rezando aos pés dela. Também é aniversário de Belo Horizonte, cidade que faz justiça ao nome que recebeu.

Mas, quando penso em 12 de dezembro, não tem jeito, a primeira coisa que me vem à mente é: SILVIO SANTOS. Desde 1930, esse dia é dele, o homem que é sinônimo de emoção e alegria aos domingos. Parabéns Silvio!

“Quando o homem está com a razão, Deus é seu advogado. Quando o homem não está com a razão, Deus é o juiz e o diabo é o advogado de quem não está com a razão.” (Silvio Santos)