terça-feira, 29 de setembro de 2009

Maravilhosamente cantar!

Sabe quando você ouve uma música pela primeira vez e, quando percebe, ela já está no repeat há mais de uma hora e você continua se deliciando e querendo escutar de novo? Foi exatamente assim quando, em um disco das Cantoras do Rádio, me deparei com o bolero "Vício". A composição de Fernando César é, desde então, umas das minhas músicas favoritas.
Mas, atrelada à belíssima letra, havia uma voz cheia de sentimento. Uma voz que escutei e só consegui pensar: 'Que coisa M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A!'. Logo depois, descobri que, no caso da cantora em questão, o lugar comum é recorrente. É difícil separar o adjetivo dela, A Maravilhosa Ellen de Lima. Puxação de saco? Com certeza. E nada de falsa modéstia!
Para você entender do que estou falando:


Essa música me pegou de tal maneira que, em certo período, na faculdade, eu chegava todos os dias e escrevia um pedaço da letra no quadro. No fim do semestre, gravei um CD e dei de presente ao professor que, a essa altura, já havia aprendido a música inteira.
Ok, eu compreendo que você talvez nunca tenha ouvido "Vício". Aliás, que tenha ouvido agora, pela primeira vez na vida. Vou tentar, então, dar uma familiaridade à situação. Se você já assistiu alguma vez o concurso de Miss Brasil, certamente conhece a "Canção das Misses". Não se lembra?


Me diga se não é de, no mínimo, ter vontade de ser uma miss e desfilar ao som dessa música? Tem também o 'tchauzinho de miss', que ficamos super tentados a imitar. Pelo menos, essa foi minha vontade na primeira vez em que vi Ellen de Lima pessoalmente. Tive que me segurar muito pra não pagar esse mico.
Mas se você, como eu, ainda quer dar um aceno desse ao som da "Canção das Misses" e, de quebra, ouvir "Vício" e outros sucessos da MPB, uma ótima chance é ir ao show que A Maravilhosa faz nesta quarta-feira, 30, no Espaço Cultural Maurice Valansi, rua Martins Ferreira , 48, em Botafogo, a partir das 20h.

Nos encontramos lá?

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Mi Buenos Aires

"Barrio... barrio...
Que tenes el alma inquieta
De un gorrion sentimental.
Penas... ruegos...
Es todo el barrio malevo
Melodía de arrabal."
Carlos Gardel, Mario Battistella e Alfredo Le Pera. MELODIA DE ARRABAL.


Esse post é só porque hoje me bateu uma suadade forte de cantar essa música com você, falar de Buenos Aires e sonhar, sonhar muito...!

domingo, 12 de julho de 2009

Com vocês, Mariana

Contrariando a todos que dizem que só falo e escrevo sobre cantores antigos (leia-se: que têm mais de 70 anos), desta vez, quero falar de uma voz que - pasmem - ainda nem chegou aos 30 anos.

Eu já tinha ouvido a Mariana Belém na época do Fama e em algumas outras aparições. No entanto, no dia em que ouvi a sua interpretação de "Ronda", de Paulo Vanzolini, pela primeira vez, não teve jeito. Me emocionou muito. Tá certo que o fato de a música ser antiga contribuiu, mas, o conjunto da obra me tocou. Voz doce com interpretação profunda.

Atualmente, com o Projeto Árvore, ela canta um pouco de sua história e reverencia obras de outros grandes artistas. Mariana é prova de que ninguém nasce na época errada. Veio na hora certa, no momento certo, para ajudar a construir a memória de cantores e compositores maravilhosos que estão caindo ou, até mesmo, que já caíram no esquecimento. Mas ela não fica só na nostalgia e passa por obras mais recentes, além, é claro, de homenagear o trabalho da mãe.

A torcia é para que esse show se transforme logo em um DVD, pra gente poder assistir, assistir, assistir e assistir de novo!

Anotem aí: dia 25 de julho, sábado, tem show no Ao Vivo Music (rua Inhambu, 229, Moema, São Paulo), às 22h30.

E, para ver a Mariana cantando "Ronda", clique aqui.

Foto: Sylvia Gosztonyi

terça-feira, 2 de junho de 2009

Elas Cantam Roberto - Marília

Muita gente criticou, disse que ela foi exagerada, caricata e que não precisava de tanto. Pois eu digo que precisava SIM. Dela, a gente sempre precisa de mais... e mais!!!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Toda nudez será castigada, Nelson Rodrigues

HERCULANO (grave) - Uma pergunta. Você gosta de mim? Gostou de mim?

GENI (atônita) - Que palpite é esse?

HERCULANO - Geni, não é palpite. Quer responder?

GENI - Sujeito burro! (Mudando de tom trinca os dentes). Só de olhar você - e quando você aparece basta a sua presença - eu fico molhadinha!

HERCULANO (realmente chocado) - Oh, Geni! Por que é que você é tão direta, meu bem?

GENI (desesperada de desejo) - Vocês homens são bobos! Está pensando o que da mulher? A mulher pode ser séria, seja lá o que for. Mas tem sua tara por alguém. (Muda de tom) Olha as minhas mãos como estão geladas. Segura, vê. (Ofegante) Geladas!

HERCULANO (amargurado) - Amor não é isso!

GENI (furiosa) - Me diz então o que é o amor?

HERCULANO - Certas coisas, a mulher não diz, não deve dizer. Pode insinuar. Insinuar. Mas não deve dizer. Delicadeza é tudo na mulher.

GENI (na sua cólera contida) - Hoje tudo que é mulher diz puta que o pariu. Ah, de vez em quando, você me dá vontade, nem sei. Vontade de te quebrar a cara, palavra de honra. Desconfio que você gosta de apanhar. Há homens que gostam.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Só numa multidão de amores

“Todos acham que eu falo demais
E que eu ando bebendo demais
Que essa vida agitada
Não serve pra nada
Andar por aí
Bar em bar, bar em bar

(…)

Ninguém sabe é que isso acontece porque
Vou passar toda a vida esquecendo você

(…)

E é por isso que eu falo demais
É por isso que eu bebo demais
E a razão porque vivo essa vida
Agitada demais
É porque meu amor por você é imenso demais”


Tom Jobim e Aloysio de Oliveira. Demais.


A realidade que se confundia com o mito. A oposição que transgredia em explosão. Maysa Figueira Monjardim. Maysa Matarazzo. Maysa. Maysa. Maysa.
Sempre me perguntaram se meu nome foi em homenagem a ela. Não, não foi. Sem querer menosprezar, acho que minha mãe, no máximo, sabe que Maysa foi uma cantora. Uma cantora. Mas, não, Maysa foi ‘a cantora’. Se, infelizmente, não fui inspirada nela — tanto que meu nome não é com “y” — por outro lado, tive a sorte de ser apresentada à sua obra e me apaixonar perdidamente. Não foi uma paixão à primeira vista. Talvez porque todos viam como uma coisa lógica eu gostar de Maysa. Relutei, tentei ser do contra, inventei implicâncias, defeitos, mas não deu. Um dia simplesmente percebi que ela havia me vencido e há muito já tinha me conquistado.
Meu amigo, o jornalista Eustáquio Trindade, que chegou a entrevistá-la, contou-me que Maysa era a elegância em pessoa. Aqueles enormes olhos verdes davam um poder a ela, que era capaz de deixar qualquer um a seus pés. E tinha os vícios. Além do cigarro, que era segurado pelos magistrais dedos longos, tinha a bebida. Durante a conversa, Maysa só tomou vinho do Porto. E o vinho era dela. Só dela. Quem quisesse, que pedisse outra garrafa. Ah, e claro, para entrevistá-la, nada de água ou refrigerante, era obrigação instituída por ela que, no mínimo, o repórter tomasse uma cerveja.
Quanto aos amores, ela foi intensa. Até porque, essa é uma palavra que a definiria bem. Talento intenso, beleza intensa, coragem intensa… fatalidade intensa. Maysa Matarazzo morreu no dia 22 de janeiro, de 1977, num acidente de carro, na ponte Rio-Niterói. Uma carreira que se encerrou cedo. O brilho de uma estrela que se apagou rápido demais. Mas a gente continua a lembrar. Maysa. Maysa. Maysa.
“Eu só queria morrer de muito amor…”

*Este texto foi originalmente postado no 25 centavo

sábado, 28 de março de 2009

Inveja em dose dupla

Juro que eu tento evitar, mas hoje não deu. Fiquei com MUITA inveja do Rodrigo Faour. Tudo bem ele ter escrito a biografia do Cauby. Eu nem sonhava em fazer isso mesmo. (Imagina). Agora, ter uma foto em um álbum na internet, do meu ídolo e da minha diva mor juntos, é demais pra mim!
Roubei:


sexta-feira, 27 de março de 2009

Texto para nossa separação

Vamos acertar nossas contas
E acabar de vez com esse roteiro mal escrito
Insuportavelmente chata essa idéia de compartilhar

Vamos confessar nossa falta de afeto mútua
Pegar os retalhos que estavam juntos para que fosse feita a colcha
E picá-los ainda mais
Deliciosa tentativa de indiferença

Vamos debochar dos nossos gozos e risos
Deixar que todos percebam tamanha hipocrisia
Assim fica mais fácil
Sem explicações e falsas aparências

Mas, escuta aqui
Sem olhares com dose de piedade
Vamos guardar as lamúrias para nunca mais
Me paga uma bebida? Tim-tim.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Voltando pelo caminho da arte

De volta ao mundo virtual.

Primeiramente, dois esclarecimentos:

- Não, esse não é outro blog, nem mudou de nome. Sempre me perguntavam o motivo de o domínio ser “leiamaisa” e o título ser “Tanta Coisa”. Não tinha motivo. Mas resolvi acabar com a complexidade da coisa e eliminar o título. Tão melhor sem nenhum rótulo.

- E eu sei que o outro layout era muito mais bonito. Mas é que fui mudar pra fazer uns testes e só depois vi que não tinha o antigo salvo aqui no computador. Logo...

Indo ao que interessa, desde que li o texto do monólogo final da peça Master Class, de Terence McNally, estrelada por Marília Pêra, em 1996, uma parte dele me marcou e ficou gravada na minha mente. Gostaria de compartilhá-la aqui:

"Se pareci dura, é porque sempre fui dura comigo mesma. Não sou muito boa com palavras, mas tentei chegar até vocês. Comunicar algo do que sinto sobre o que fazemos como artistas, como músicos, como seres humanos.

O sol não vai despencar das alturas se não houver mais traviatas. O mundo pode e vai continuar sem nós. Mas eu preciso acreditar que nós o tornamos um lugar melhor, que nós o deixamos mais rico e mais sábio por ter escolhido o caminho da arte."

É isso.


segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O enterro

Rapaz que vai ter a identificação preservada:
Sexta-feira eu cheguei quase chorando em casa porque dentro do ônibus eu vim pensando na minha morte. Tipo, se eu estivesse ali naquele ônibus mesmo e começasse um tiroteio entre polícia e bandidos e uma bala perdida me atingisse. Tá, minha família ia ser a primeira a saber, normal. Mas tipo...por exemplo, quando a notícia chegaria pra você? Só no dia seguinte. Talvez até depois do enterro, né?
Eu:
E eu ia rir muito
...:
Ah, mas eu ia querer você no meu enterro
Eu:
Tá louco??? Eu não iria meeeeesmo
...:
Que horror! Tinha que ir. Eu iria no seu se fosse aqui. Se fosse em Guiricema, não. Jura que você não iria ao meu enterro? Meu Deus...
Eu:
Mas pra que eu iria?? Pra encontrar só mais gente que eu não gosto?
...:
Que horror! Você ia ficar arrependida e ia ficar levando flores por anos, escondida
Eu:
Minha cara fazer isso
...:
Mas tinha que morrer de uma forma bem do nada, tipo bala perdida mesmo, pra todo mundo ficar chocado e ainda fazer caminhada pela paz com minha camiseta, e o Super cobrir
Eu:
Credo, quer morrer, morra com classe!
...:
Gente, mas eu queria você no meu enterro. Que decepção. E você não vai rir, sei que não vai
Eu:
Rir pode até ser que não, mas chorar também não vou
...:
Nossa, claro que vai. Vai chorar muito. Eu ia ficar desesperado se você morresse. Como assim que você não ia chorar? Ia receber a notícia e falar "Ah tá!"?
Eu:
Ia falar: "Gente, coitado!"
...:
Nossa, que absurdo! Credo Maísa, que decepção!
Eu:
Uai, é a vida