Nascida em fevereiro de 1923, na cidade do Rio de Janeiro, Carmélia Alves é filha de pai cearense e mãe baiana. Se pensarmos que ela foi criada com base nos costumes nordestinos e associarmos a árvore genealógica da cantora à trajetória artística que ela seguiu, talvez seja fácil entendermos a familiaridade com a cultura do nordeste. Porém, não foi sempre assim. Na adolescência, Carmélia era fanática pela cantora Carmen Miranda.
Apesar de Carmen e Carmélia nunca terem se conhecido pessoalmente, os passos no início da carreira de Carmélia sempre estiveram atrelados aos da pequena notável. Quando Carmen Miranda foi para os Estados Unidos, Carmélia Alves, então com 17 anos, foi convidada para substituí-la como crooner na boate do Copacabana Palace Hotel.
Foi, certamente, no ambiente do Copacabana Palace, que Carmélia começou a traçar os rumos gloriosos que sua carreira tomaria nos próximos anos. Foi ali que a cantora teve os primeiros contatos com grandes nomes da música brasileira e do cenário internacional.
Além de trabalhar como crooner do Copacabana Palace, Carmélia também foi para o tão sonhado mundo do rádio. Em 1940, convidada pelo locutor César Ladeira para fazer o horário que antes era de Carmen Miranda, ela já cantava na Rádio Mayrink Veiga. Foi também na década de 1940, mais precisamente no ano de 1944, que Carmélia conheceu o cantor Jimmy Lester, com quem ficaria casada durante 54 anos.
“Sabia lá na gaiola…”
No final dos anos 1940, os boleros, ranchos e marchas tomavam conta das rádios. Mas, em meio a esses gêneros já consolidados, a música “Me leva” composta por Hervê Cordovil e lançada em disco por Ivon Curi e Carmélia, ganhou destaque e começou a colocar o baião na vida da cantora. A partir daí, na década de 1950, Carmélia apareceu com delícias como “Trepa no Coqueiro” (Ari Kerner, 1950, que anos mais tarde recebeu regravação de Ney Matogrosso), “Sabiá na gaiola” (Hervê Cordovil, 1950) e “Cabeça inchada” (Hervê Cordovil, 1951), que estouraram em todo o Brasil. Depois foi simples. O caminho já estava traçado e Carmélia Alves foi coroada com o título de Rainha do Baião, que era o gênero mais veiculado nos anos 1950. O baião só começou a declinar no início da década de 1960, com a chegada da bossa-nova.
Apesar de o gênero nordestino e, consequentemente, os cantores, terem ficado um pouco prejudicados com o surgimento da bossa-nova, Carmélia arranjou uma maneira de driblar a crise e alçou novos rumos à sua carreira. A cantora passou longas temporadas viajando e trabalhando em países da Europa e da América Latina, mostrando ao mundo todo o que é o baião.












