quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Como é cruel cantar assim

 

Cauby Peixoto Barros veio ao mundo para cantar e foi o que sempre fez. No início, a mãe, dona Alyce, não aceitava em hipótese alguma a idéia de que o filho pudesse seguir a carreira artística. Mas, o jovem, apoiado por uma tia que gostava muito de música e era professora de piano, chamada Risoleta, não desistiu do sonho.

Aos 15 anos, Cauby saiu da casa que morava com a família, em Niterói, e foi para São Paulo se apresentar como crooner na boate Oásis, a convite do irmão Moacyr, que também havia saído de casa para tocar piano. Aliás, não teria como Cauby fugir muito de seu destino. É parte de uma família que legou à MPB vários músicos e cantores. O tio, o grande pianista Nonô, acompanhava Carmem Miranda nas apresentações em cassinos e foi o responsável por popularizar o samba naquele instrumento. Como primo, ninguém menos que o sambista Ciro Monteiro, que cantava sambas sincopados com o acompanhamento de caixinhas de fósforos, e foi imortalizado com o apelido de “Formigão”. Além de Moacyr, outros dois irmãos de Cauby também seguiram o caminho da música: Arakén, como trompetista, e Andyara, como cantora.

Depois de algum tempo em terras paulistanas, Cauby Peixoto foi contratado pela Rádio Excelsior. Nesse mesmo período, o jornalista e apresentador Roberto Côrte Real o levou para a CBS, onde Cauby gravou a canção “Tudo Lembra Você”, versão do diretor da Excelsior, Mário Donato, para a música “These Foolish Things”. Essa primeira tentativa não fez sucesso, mas muito ainda estava por acontecer. Apareceu na vida de Cauby um “padrinho” que conseguiu, em apenas três meses, transformá-lo na atração masculina mais popular da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Foi através da cantora Heleninha Costa, que Cauby conheceu o empresário Edson Collaço Veras, o Di Veras. O homem levou o jovem cantor para o Rio de Janeiro, certo de que aquele rapaz era o talento que ele tanto procurava. Di Veras tanto fez, que conseguiu fazer com que a Nacional contratasse seu pupilo.


A grande inspiração de Cauby sempre foi, declaradamente, o cantor norte-americano Nat King Cole. E o salto inicial para o sucesso veio justamente com a gravação de “Blue Gardenia” (B. Russel/ L. Lee/ versão: Antônio Carlos), estourada no mundo inteiro na voz de Nat. Foi a partir daí que Cauby começou a ter um contato mais direto com as fãs, mobilizando, efetivamente, o público feminino. “Blue Gardenia” abriu muitas portas para o cantor. Quando ele foi passar uma temporada nos Estados Unidos, se apresentou com a canção e chegou, inclusive, a conhecer pessoalmente o ídolo Nat King Cole. Na terra do Tio Sam, Cauby também gravou um disco, pela Columbia. Na época, foi classificado pelas revistas “Time” e “Life” como “o Elvis Presley brasileiro”. Mas ele não ficou muito tempo longe do Brasil. A saudade bateu e ele voltou para os braços de suas fãs.

O maior sucesso gravado por Cauby, depois de “Blue Gardenia”, tornou-se a música mais solicitada e mais aplaudida em seus shows, até hoje: a famosa “Conceição” (Jair Amorim/ Dunga). O público ia ao delírio e o que se falava era que as mulheres desmaiavam quando viam o cantor.

Cauby Peixoto sempre foi diferente. Os cantores da época se apresentavam de gravata, mas ele já mostrava que o segredo era ter um “algo mais”. Usava tênis, calça jeans e blusas de cores fortes. Em público, sempre procurou aparecer com roupas brilhantes e impecáveis. Esse estilo agradou, e as fãs só aumentavam. Mas Cauby não ficava só no figurino. Com sua voz de timbre grave e aveludado, o “professor” — apelido pelo qual Cauby é conhecido — gostava de cantar baladas românticas. Porém, o rock não foi esquecido — Cauby foi o primeiro cantor a gravar um rock em português, “Rock and roll em Copacabana”, composto por Miguel Gustavo, futuro autor de “Pra Frente Brasil”.


A Voz

Gosto de comparar Cauby a Frank Sinatra. Frank – “The Voice”. Cauby – “A Voz”. E não é nenhum exagero. Cauby é, sem dúvida, junto a Frank, um dois maiores cantores de todos os tempos. Tem talento de artista e extravagância de mito.

Muitos "vivas" para Cauby!

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